Esporte

Artigo: Transparência total para o VAR

DIVULGAÇÃO/UEFA

A Lei 13.756/2018, que autoriza apostas esportivas no Brasil, está em fase de regulamentação no Congresso Nacional. A legalização é ótima porque, segundo projeções do próprio governo, tem potencial de injetar R$ 4 bilhões na nossa economia, um dinheiro que hoje vai todo para fora do país, onde estão hospedados os sites de aposta.

Segundo pesquisa realizada pela UFRGS, entre 70% e 85% dos brasileiros que usam esses sites apostam no futebol, o que era esperado, por tratar-se da modalidade esportiva mais popular por aqui. Mas isso cria um desafio a mais: como impedir, diante desse mercado gigantesco que se abre, a manipulação de resultados dos jogos. Um dos casos mais emblemáticos que já ocorreram no Brasil foi a Máfia do Apito, em 2005, quando 11 jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, apitados por Edílson Pereira de Carvalho, acabaram anulados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e tiveram que ser remarcados.

Neste sentido, o surgimento do árbitro de vídeo, mais conhecido como VAR, foi salutar. Mas o seu uso, por ser tão recente, necessita de ajustes. E o primeiro item a ser aprimorado é a sua transparência. Quanto mais transparente ele for, maior será a confiança dos torcedores — e apostadores — nele. Embora hoje as grandes fraudes nos resultados aconteçam nos jogos das divisões de acesso, como mostrou a Operação Game Over, em 2016, os grandes campeonatos não estão livres de manipulações.

Recentemente, a Comissão de Esportes da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública com os craques da arbitragem da CBF. O presidente da Comissão de Arbitragem, Leonardo Gaciba, admitiu, na ocasião, que a entidade “pensa em divulgar ao público os áudios das conversas que acontecem na cabine do VAR de alguns jogos”, a partir de 2020. Hoje, para ter acesso a eles, os clubes têm que enviar representantes à CBF no dia seguinte ao jogo. Ou seja, pode haver um avanço, mas ainda é pouco.

Por isso, apresentei um projeto de lei que modifica o Estatuto do Torcedor para que os áudios sejam públicos, no mesmo dia, e também que os árbitros de vídeo passem a ser sorteados, como acontece como os juízes de campo. Os representantes da CBF garantiram durante a audiência que o VAR é “100% confiável”. Então, por que não dar 100% de transparência a ele?

(*) Luiz Antonio Teixeira Jr. é deputado federal (PP-RJ) veiculou o artigo acima na editoria de Economia do Globo Online.

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