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Bingos voltam a se proliferar em São Paulo e no Rio

Crédito: GABRIEL REIS

Com a bandeira de entidades beneficentes, bingos voltam a proliferar em São Paulo e no Rio e atraem um público crescente. A legalização do negócio no Congresso pode ser o próximo passo

Desde que os bingos foram proibidos oficialmente no início dos anos 2000, as grandes casas de jogos aguardam o momento em que serão liberadas a operar de novo, assim como os muitos fãs da modalidade. Essa hora pode estar chegando. Em São Paulo, eles podem ser vistos funcionando em vários pontos da cidade. Num belo espaço de eventos no Itaim, na Zona Sul, por exemplo, chamado de Espaço Real da Sorte, já é possível jogar livremente. Dezenas de mesa se espalham pelo salão, com bar e grande estrutura de som e telões com os marcadores. A atividade pode ser oferecida legalmente por se amparar na lei 13.019 de 2014, como “bingo beneficente”, que permite às entidades utilizarem sorteios para arrecadar recursos. Os organizadores afirmam se tratar de uma atividade “temporária”, mas o bingo já funciona há quase dois anos, beneficiando uma ONG de São Miguel Paulista.

Enquanto a jogatina rola solta, os donos de bingo dizem que se trata de um meio para sustentar as instituições de auxílio, que passam por um período difícil após a estagnação econômica. Dessa forma, é possível visualizar nas paredes a estranha combinação de monitores lado a lado que mostram os números que já foram chamados e vídeos da equipe fornecendo ajuda e entregando mantimentos para famílias que dependem da receita gerada pelo jogo. Na porta de entrada, antes de se notar o balcão do bar ou entrar no salão, uma caixa abarrotada com mantimentos não perecíveis é a primeira coisa a ser vista.

Mala de dinheiro

No local, é possível adquirir uma cartela simples por R$ 2. São pagos prêmios de R$ 1 mil pelo bingo nas rodadas convencionais. Em outras casas de jogos há recompensas ainda maiores e sorteios de eletrodomésticos — doados para o bingo arrecadar mantimentos. R. diz jogar desde os 16 anos, e vai dia sim dia também ao Espaço Real da Sorte. Ela conta já ter saído com uma mala de dinheiro de uma jogatina no passado, mas que também já perdeu o equivalente a um prédio contabilizando todos os anos. “Entrou no jogo já sabe, tem de se preparar para perder e para ganhar”, conta. Não é tão difícil encontrar outras casas como essa em São Paulo, funcionando sob a bandeira de entidade beneficente ou de forma clandestina. No Rio de Janeiro, elas também estão se proliferando.

Não só os bingos podem entrar na legalidade em pouco tempo, mas como qualquer tipo de jogo de azar. Hoje, dois projetos estão em tramitação: o PL 442/91, que tenta legalizar o jogo do bicho, e o PLS 186/14, que dispõe de permissões para explorar o jogo legalizado e regulamentado. De acordo com Magno José, presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal, é possível que os projetos sejam colocados para votação em plenário no final de setembro, em comemoração ao “Dia do Turismo”, em 27/09. Para ele, a possibilidade de lavagem de dinheiro envolvendo o jogo é um “mito urbano”, e que existem outras opções melhores para os criminosos. “Isso é caro e arriscado”, diz, projetando tributação de ao menos 26% para os jogos físicos numa eventual regulamentação e limites de ganho que devem identificar os vencedores.

Além desse perigo, o jogo também carrega os vícios. De acordo com dados do Programa Ambulatorial do Jogo Patológico, do Hospital das Clínicas, 2,3% da população brasileira tem algum nível de compulsão por jogos de azar, algo que corresponde a quase cinco milhões de pessoas. Se com o jogo marginalizado há tanta gente com problemas, com a liberação a tendência é que esse número aumente — mesmo que se abra a porta para tratamentos específicos nesse tipo de dependência. Afinal, alguns têm mais sorte do que outros, e a suscetibilidade aos apelos do jogo pode afetar uma pessoa de uma hora para outra. É uma diversão que pode facilmente evoluir para o vício. (ISTOÉ)

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